01 / Insights
Quando é que uma segunda língua compensa
A primeira pergunta sobre um site multilingue tem pouco de técnico. É saber se alguém procura nessa língua aquilo que vendes. A CSA Research repete a mesma conclusão há anos: cerca de 76 por cento dos consumidores preferem comprar na própria língua, e perto de 40 por cento não compram de todo numa língua estrangeira. É um argumento forte, mas não um cheque em branco.
Uma segunda língua é um compromisso permanente: cada página nova, cada alteração de preço, cada artigo passa a existir em duplicado. Um site meio traduzido converte pior do que um site monolingue bem feito. Para exportadoras, negócios de turismo e alojamento local ou founders internacionais em Portugal, o passo compensa quando três coisas são verdade ao mesmo tempo:
- Existe procura mensurável nessa língua para a tua oferta, para lá do tráfego genérico desse país.
- Consegues atender clientes nessa língua. Responder em português a um pedido em alemão desfaz o trabalho todo.
- Tens capacidade para manter as duas versões igualmente atualizadas, para sempre.
02 / Insights
Subpasta, subdomínio ou domínio de país: primeiro a estrutura
Onde vivem as línguas é a primeira decisão de peso, e cara de reverter. As subpastas, como tanomedia.com/pt/, mantêm todas as línguas num só domínio: links e autoridade somam para o mesmo lado. Para a maioria das empresas é a escolha certa por defeito. Os subdomínios, como de.exemplo.com, dividem esses sinais sem ganho que compense. Os domínios de país, como exemplo.de, enviam o sinal local mais forte, mas obrigam-te a construir autoridade do zero em cada domínio: realista para multinacionais, caro para um site de 15 páginas. Para um negócio português, tanto um .pt como um .com com subpastas funcionam; o que importa é decidir cedo.
Escolhas o que escolheres: uma língua por URL, sempre. Trocar conteúdo na mesma URL com cookies ou JavaScript significa que o Google só indexa uma versão, normalmente a errada.
03 / Insights
hreflang sem dores de cabeça (e a questão pt-PT vs. pt-BR)
O hreflang é um conjunto de anotações que diz aos motores de busca qual URL é o equivalente de qual, por língua e região. Não melhora rankings. O trabalho dele é encaminhar: mostrar a página certa a cada pesquisa e evitar que as tuas versões concorram entre si.
Para um site português há um detalhe que vale ouro: pt-PT e pt-BR são públicos diferentes, e os resultados de pesquisa em português estão cheios de conteúdo brasileiro. Declarar pt-PT diz ao Google que a tua versão é para Portugal. As restantes regras são previsíveis. As anotações têm de ser recíprocas: cada página aponta para as alternativas, recebe o link de volta e inclui-se a si própria. Os códigos seguem a ISO 639-1 mais a região ISO 3166-1 (en-GB existe, en-UK não), e o x-default define a versão para quem não encaixa em nenhuma língua. Declara o hreflang no head, num header HTTP ou na sitemap, a partir de uma única fonte de verdade gerada automaticamente, porque hreflang mantido à mão degrada-se a cada página nova.
04 / Insights
Escrever nativo rende mais do que traduzir
Tradução automática sem revisão é a forma mais barata de parecer ausente. A Google trata tradução automática em massa e sem revisão como conteúdo de baixo valor, e os leitores percebem antes do algoritmo. Em português, o problema duplica: os tradutores automáticos tendem para o português do Brasil, e um «você» no sítio errado diz a um cliente português que ninguém daqui escreveu aquilo. Tradução automática com edição nativa competente é um meio-termo legítimo para catálogos grandes e páginas secundárias.
Para páginas que devem posicionar e vender, o modelo certo é escrever nativo: mesma estrutura, mesmos factos, idioma diferente. As palavras-chave não se traduzem: em Portugal pesquisa-se «criação de sites», expressão que nenhum tradutor produziria a partir do inglês. A pesquisa de palavras-chave faz-se por língua e por mercado; depois, cada versão é escrita por alguém que vive nessa língua todos os dias.
05 / Insights
Localizar vai muito além das palavras
O texto visível é talvez metade do trabalho. Moedas, formatos de números e datas, indicativos telefónicos e campos de formulário enviam sinais discretos sobre se estás presente num mercado. Em Portugal, os detalhes contam: preços com indicação clara de IVA incluído ou acrescido, campo de NIF quando há faturação, métodos de pagamento que as pessoas usam. Um cliente português repara.
Depois há a metade invisível: meta titles e descriptions, slugs, alt texts, tags Open Graph, a página 404, mensagens de erro e e-mails transacionais. Se isso fica em inglês enquanto a página está em português, utilizadores e motores de busca notam as costuras.
06 / Insights
Os erros que custam mais caro
Ao fim de alguns anos a auditar sites multilingues, os mesmos defeitos voltam sempre:
- Redirecionamentos automáticos por IP. O Googlebot rasteja sobretudo a partir dos EUA e pode nunca ver as outras versões. Usa um aviso discreto e deixa as pessoas escolher.
- Bandeiras como seletor de língua. Uma bandeira representa um país, e as línguas atravessam fronteiras: não há bandeira certa para um brasileiro a ler português.
- Traduzir o corpo do texto e deixar o title, a meta description, o slug e os alt texts por traduzir; assim a página não posiciona bem em língua nenhuma.
- hreflang sem links de retorno ou com códigos inventados; um par quebrado pode invalidar o conjunto inteiro.
- Pânico com conteúdo duplicado entre línguas. Uma tradução não é um duplicado. O risco real são variantes regionais da mesma língua, exatamente o caso que o hreflang resolve.
- Lançar a segunda língua a 60 por cento e nunca acabar. Os visitantes encontram as pontas por traduzir em dois cliques.
07 / Insights
Como gerimos a tanomedia.com em três línguas
O nosso site é o banco de ensaio deste artigo. Inglês, alemão e português europeu vivem como subpastas num só domínio, o inglês é a raiz e o x-default, e cada slug é localizado por língua, este artigo incluído. O hreflang é gerado pelo script de build a partir de uma única fonte de dados para o head e a sitemap: nunca se contradizem, e cada página liga às alternativas nos dois sentidos.
Nenhuma das três versões é uma tradução: cada uma é escrita de raiz por quem trabalha nessa língua todos os dias, com pesquisa de palavras-chave própria. A parte técnica foi uma fração do projeto; manter três línguas igualmente afiadas é o trabalho contínuo. Por isso dizemos aos clientes para acrescentarem uma língua só onde existe mercado para ela.
08 / Insights
Checklist de lançamento para a tua segunda língua
Antes de a nova língua ir para o ar, percorre esta lista. Cobre as falhas que mais vemos:
- Pesquisa de palavras-chave feita diretamente na língua de destino.
- Estrutura de URLs decidida, slugs localizados, uma língua por URL.
- Todos os templates cobertos: navegação, footer, formulários, mensagens de erro, páginas legais, e-mails.
- Meta titles, descriptions, alt texts e tags Open Graph escritos por língua.
- hreflang recíproco, autorreferente e com x-default, gerado automaticamente a partir de uma única fonte.
- O seletor de língua leva à página equivalente na outra língua.
- Sem redirecionamentos forçados por IP; no máximo, um aviso que se pode fechar.
- Depois do lançamento: verifica as versões na Search Console e observa onde chegam as pesquisas.
FAQ
Perguntas frequentes
01O hreflang melhora os rankings?
Não diretamente. O hreflang é uma instrução de encaminhamento sem peso próprio no ranking: garante que a versão certa aparece a quem pesquisa em cada língua e impede que as tuas versões concorram entre si. O ganho é indireto: menos saídas e melhores sinais na versão certa.
02Conteúdo traduzido conta como conteúdo duplicado?
Não. Páginas em línguas diferentes são conteúdo distinto para os motores de busca, mesmo com estrutura idêntica. O risco real são duas versões na mesma língua para regiões diferentes, como pt-PT e pt-BR, exatamente o caso que o hreflang resolve.
03Quanto custa acrescentar uma língua a um site?
A tradução profissional em Portugal ronda 0,06 a 0,12 € por palavra, mais IVA; um site de 10 a 15 páginas fica em centenas a poucos milhares de euros por língua, mais a configuração técnica. Planeada desde o início, uma língua extra acrescenta uma fração ao projeto em vez de o duplicar. Os nossos projetos começam nos 1.500 € e a maioria fica online em 2 a 6 semanas.
04Preciso de hreflang para separar pt-PT de pt-BR?
Sim, é o caso clássico. Sem a região, o Google pode mostrar a tua página a utilizadores brasileiros ou, pior, mostrar conteúdo brasileiro concorrente aos teus clientes portugueses. Declarar pt-PT, escrever em português europeu e usar referências locais resolvem o problema em conjunto.