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Google Fonts localmente: como alojar as fontes no teu servidor e porque conta para o RGPD

Usar Google Fonts localmente quer dizer que os ficheiros das fontes ficam no teu próprio servidor, em vez de serem pedidos à Google cada vez que alguém abre uma página. Assim, o browser de quem te visita não envia o endereço IP à Google, e desaparece o risco que um tribunal alemão identificou em janeiro de 2022. Neste guia vês em dois minutos se o teu site carrega Google Fonts e como passar a alojá-las tu, com ou sem plugin.

01 / Guias

Google Fonts e RGPD: o que decidiu o tribunal de Munique

As fontes em si são de uso livre. A questão é a forma como são carregadas. Por sentença de 20 de janeiro de 2022 (processo 3 O 17493/20), o Tribunal Regional de Munique I (Landgericht München I) decidiu que um site que carrega Google Fonts de forma dinâmica, a partir dos servidores da Google, e com isso transmite o endereço IP do visitante à Google sem consentimento, viola o direito geral de personalidade do visitante e o seu direito à autodeterminação informacional. O tribunal tratou o endereço IP como dado pessoal e não reconheceu interesse legítimo, porque as mesmas fontes podem ser usadas sem qualquer ligação à Google. O responsável pelo site foi condenado a parar e a pagar 100 euros de indemnização ao visitante.

Nos meses seguintes, muitos donos de sites na Alemanha e na Áustria receberam cartas a exigir pagamentos por causa das Google Fonts, muitas delas de validade jurídica duvidosa. Seja qual for a tua opinião sobre essa vaga, a solução técnica é simples, gratuita e normalmente torna o site mais rápido. Este guia explica a parte técnica e não é aconselhamento jurídico.

02 / Guias

E em Portugal, o RGPD também se aplica?

A sentença de um tribunal alemão só decide o caso concreto e não vincula tribunais portugueses. Mas o raciocínio assenta no RGPD, que se aplica da mesma forma em Portugal e em toda a UE, e na ideia de que um endereço IP pode ser um dado pessoal, que o Tribunal de Justiça da UE confirmou para endereços IP dinâmicos no acórdão Breyer (C-582/14), em 2016. Não conhecemos decisão portuguesa sobre Google Fonts, mas a pergunta é a mesma para qualquer site dirigido a pessoas na UE.

Ninguém precisa de entrar em pânico. Alojar as fontes no teu servidor resolve a questão de vez, não custa nada e demora, no máximo, uma tarde. Por isso é o que fazemos por defeito.

03 / Guias

O que quer dizer, tecnicamente, usar as fontes localmente

No carregamento dinâmico, o código da tua página tem uma referência a fonts.googleapis.com. O browser vai buscar aí uma folha de estilos e depois os ficheiros das fontes a fonts.gstatic.com. Nos dois pedidos, a Google vê o endereço IP do visitante.

No alojamento local, descarregas os ficheiros das fontes uma vez, colocas-os no teu servidor e descreve-los na tua própria folha de estilos. O browser passa a falar só com o teu servidor. A maior parte das Google Fonts tem licenças abertas, como a SIL Open Font License, que permitem expressamente alojá-las por conta própria.

04 / Guias

Como verificar se o teu site carrega Google Fonts

  1. 01

    Abrir uma janela privada

    Abre o teu site no Chrome ou no Firefox numa janela privada, para que ficheiros guardados em cache não escondam nada.

  2. 02

    Abrir as ferramentas de programador

    Carrega em F12 (no Mac, Cmd + Option + I) e passa para o separador Rede (Network). Ativa a opção «Desativar cache».

  3. 03

    Recarregar e filtrar

    Recarrega a página e escreve fonts.g no campo de filtro. Se aparecerem pedidos a fonts.googleapis.com ou fonts.gstatic.com, a página ainda carrega fontes da Google.

  4. 04

    Ver outras páginas

    Repete na página de contactos, em artigos do blog e em páginas com mapas, vídeos ou formulários. Muitas vezes não é o tema que carrega as fontes, mas um plugin, um widget ou um mapa do Google incorporado.

  5. 05

    Confirmar no código-fonte

    Abre também o código-fonte da página (Ctrl + U; no Mac, Cmd + Option + U) e procura fonts.googleapis. Se nem o código nem o separador Rede mostram nada, a página está limpa neste ponto.

05 / Guias

Como alojar Google Fonts localmente em qualquer site

Este caminho funciona em qualquer site, feito à medida ou com um CMS:

  1. 01

    Anotar fontes e pesos

    Escreve que fontes são usadas e em que pesos, por exemplo Inter 400 e 700. Cada peso desnecessário custa tempo de carregamento.

  2. 02

    Descarregar os ficheiros

    O google-webfonts-helper (gwfh.mranftl.com), gratuito, deixa-te escolher a fonte, o conjunto de caracteres e os pesos, e dá-te os ficheiros no formato moderno WOFF2 com o CSS já feito. Escolhe o conjunto latin, que inclui os acentos do português.

  3. 03

    Carregar para o servidor

    Coloca os ficheiros numa pasta do servidor, por exemplo /fonts/, ou na pasta de recursos do tema.

  4. 04

    Escrever as regras @font-face

    A folha de estilos precisa de um bloco por peso, segundo este modelo: @font-face { font-family: "Inter"; src: url("/fonts/inter-400.woff2") format("woff2"); font-weight: 400; font-style: normal; font-display: swap; }

  5. 05

    Remover a referência antiga

    Apaga a etiqueta link que aponta para fonts.googleapis.com no cabeçalho da página e qualquer @import de Google Fonts nos ficheiros CSS. No WordPress, um tema filho pode desligar a folha de estilos das fontes do tema com wp_dequeue_style.

  6. 06

    Verificar outra vez

    Testa a página de novo no separador Rede. Não pode aparecer nenhum pedido a fonts.googleapis.com nem a fonts.gstatic.com.

06 / Guias

Google Fonts localmente no WordPress

Começa pelas definições do tema. Muitos temas populares, como o Astra e o Kadence, têm uma opção em Aparência › Personalizar para carregar as Google Fonts localmente. Com ela ativa, o tema descarrega as fontes uma vez e passa a servi-las a partir do teu servidor.

Se também há plugins a carregar fontes, como sliders, formulários ou construtores de páginas, um plugin próprio ajuda. O OMGF (Optimize My Google Fonts) encontra os pedidos de Google Fonts nas tuas páginas, descarrega os ficheiros e substitui as referências. O Local Google Fonts é uma alternativa. Em qualquer caso, verifica depois cada página importante no separador Rede, porque nenhum plugin apanha tudo, e limpa a cache do plugin de cache, senão continuas a ver a versão antiga.

07 / Guias

Elementor e Divi

O Elementor carrega da Google, por defeito, todas as fontes que escolhes no editor. As versões recentes têm nas definições do Elementor uma opção para carregar as Google Fonts localmente. Ativa-a, volta a gerar os ficheiros CSS e confirma no separador Rede. Se a tua versão não tiver a opção, podes desligar as Google Fonts no Elementor e carregar os ficheiros em Fontes Personalizadas, no Elementor Pro, ou deixar o OMGF tratar disso. Não te esqueças das fontes globais nas definições do site do Elementor, que decidem o que é usado em todo o lado.

No Divi, o interruptor está em Divi › Opções do Tema › Geral. Desliga as Google Fonts e o Divi deixa de as carregar. Depois carregas a tua fonte como ficheiro através do menu de fontes nas definições de design de um módulo, e passa a estar disponível em todos os módulos. Limpa a cache do Divi e a do site e verifica as páginas importantes.

08 / Guias

Shopify: as fontes vêm da Google?

As fontes escolhidas na biblioteca de fontes do editor de temas da Shopify são servidas pelos servidores da própria Shopify, não pela Google. Mesmo assim, aparecem Google Fonts em lojas Shopify quando um tema, uma app ou uma personalização antiga as inclui diretamente.

Verifica a tua loja no separador Rede. Se encontrares pedidos à Google, vai a Loja online › Temas, abre Editar código, abre o ficheiro theme.liquid e procura fonts.googleapis. Carrega os ficheiros WOFF2 para a pasta assets do tema ou em Conteúdo › Ficheiros e acrescenta-os com @font-face na folha de estilos do tema. Se a origem for uma app, como um widget de avaliações, procura uma opção na app ou fala com quem a desenvolve. Para lojas à medida em que controlamos cada ficheiro carregado, construímos com Shopify Hydrogen.

09 / Guias

O que mais no teu site fala com a Google

Depois de resolver as fontes, o separador Rede mostra muitas vezes outros pedidos à Google. Não faziam parte do caso de Munique, mas levantam perguntas parecidas:

OrigemComo a reconhecesSolução habitual
Google Maps incorporadoPedidos a maps.googleapis.com e muitas vezes a fonts.googleapis.comCarregar só depois de um clique ou consentimento; até lá, uma imagem com link para o mapa
Vídeos do YouTubePedidos a youtube.com ou youtube-nocookie.comImagem de pré-visualização que carrega o vídeo ao clicar
Google reCAPTCHAPedidos a google.com/recaptchaPedir consentimento ou usar uma alternativa mais respeitadora da privacidade
Google Analytics e Tag ManagerPedidos a googletagmanager.comSó com consentimento, através do banner de cookies

10 / Guias

Atualizar a política de privacidade

Quando o teu site deixar de carregar o que quer que seja das Google Fonts, podes retirar ou ajustar a parte da política de privacidade que fala delas. Volta a verificar depois de cada atualização importante do tema, de plugins ou de apps, porque as atualizações podem repor definições ou trazer novas inclusões.

Se receberes uma carta ou um email a exigir pagamento por causa das Google Fonts, muda o site de imediato, regista a data com capturas de ecrã do separador Rede e mostra a carta a um advogado antes de pagar ou assinar o que quer que seja. O que é devido, se alguma coisa for, depende do caso. Este guia não substitui aconselhamento jurídico.

11 / Guias

Um efeito secundário: fontes locais carregam mais depressa

Sem ligações extra a dois domínios da Google, o texto aparece mais cedo, e com apenas os pesos necessários em WOFF2 o volume de dados diminui. Nos nossos projetos de web design e desenvolvimento web, todos os sites são programados à mão e as fontes ficam alojadas no próprio site desde o primeiro dia. Se quiseres uma opinião sobre o teu site atual, pede a nossa auditoria gratuita ao site.

FAQ

Perguntas frequentes

01As Google Fonts cumprem o RGPD?

As fontes em si são de uso livre. O que um tribunal de Munique censurou em janeiro de 2022 (3 O 17493/20) foi carregá-las dos servidores da Google sem consentimento, porque o endereço IP do visitante segue para a Google. Google Fonts alojadas localmente não levantam essa questão. Não é aconselhamento jurídico.

02Posso descarregar as Google Fonts e alojá-las no meu servidor?

Sim. A maior parte das Google Fonts tem licenças abertas, como a SIL Open Font License, que permitem usar, redistribuir e alojar por conta própria. A licença de cada fonte está indicada na página dela no Google Fonts.

03Basta pedir consentimento no banner de cookies?

Tecnicamente é possível, mas então as fontes só podem carregar depois do consentimento, e quem recusa vê o site com outro aspeto. Alojar as fontes localmente é mais simples, mais rápido e não precisa de consentimento.

04Como verifico se o meu site ainda carrega Google Fonts?

Abre as ferramentas de programador do browser (F12), vai ao separador Rede, desativa a cache, recarrega e filtra por fonts.g. Se aparecerem fonts.googleapis.com ou fonts.gstatic.com, as fontes ainda vêm da Google. Verifica várias páginas.

05A Shopify carrega fontes da Google?

As fontes da biblioteca da Shopify vêm dos servidores da Shopify. As Google Fonts só aparecem se um tema, uma app ou código próprio as incluírem diretamente, e o separador Rede mostra-o.

06Houve multas em Portugal por causa das Google Fonts?

Não conhecemos nenhuma. O caso conhecido é alemão: um tribunal de Munique condenou o dono de um site a pagar 100 euros de indemnização a um visitante. Como o RGPD é o mesmo em toda a UE, alojar as fontes localmente é a forma mais simples de evitar a questão.

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